Foi tudo um triste e lamentável espetáculo. Parece em um primeiro momento uma história de cinema de horror, mas infelizmente tudo é real. A sociedade brasileira chocou-se pelas mortes inocentes e pela covardia doentia. Quanta estupidez humana, quanta frieza podemos esperar das pessoas mais “normais” que nos rodeiam, quantas vidas interrompidas... No entanto tenho algumas ponderações do caso.
A tragédia na escola de Realengo no Rio de Janeiro impõe um pouco da nossa frágil estrutura familiar, educacional, política e não menos importante a de segurança. Todos os dias diversas crianças e jovens deste nosso enorme país enfrentam grandes “massacres” nas políticas públicas implantadas. Seja em ações totalmente desconexas do ideal, ou em caso extremo na total ausência delas. O Brasil tem uma ambiciosa meta de crescimento econômico de que chegará, e espero que alcance, ao patamar dos chamados países do primeiro mundo. Um objetivo bastante audacioso e também interessante para nossa estrutura financeira. Entretanto outros dados muito mais importantes para um real desenvolvimento estão anos luzes de sequer encontrar uma mínima melhoria. A saúde, a educação e a segurança... É caros leitores, estes mesmos temas que em todas as eleições somos persuadidos a escutar promessas e mais promessas fazendo-nos crer que estamos diante dos salvadores e redentores da pátria (e sempre com aquela velha esperança).
O cenário de tragédia ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio traz à tona uma reflexão bem ampla do que é a estrutura social deste nosso país. Este caso impôs a sociedade o que está sendo denunciado há tempos por diversas vozes que não se calam para que no mínimo seja discutido tamanho desprezo em relação ao ser humano. O atirador, causador destes crimes, certamente sofria de enormes transtornos psicológicos, não o redimo em nenhum momento de sua responsabilidade, foi realmente um grande covarde, entretanto ele é o sinal de grandes covardes que estão sendo, ou já foram, frutos de nosso ambiente escolar e familiar. A verdade é nua e crua, meus caros, a educação brasileira é um fiasco. E as relações familiares, maltratadas por diversos fatores, entre eles, uma péssima distribuirão de renda, torna-se até alarmante de que maníacos sejam “educados” para matar. É um pouco espantoso que o tão pretendido desenvolvimento que os governantes tanto se glorificam em alcançar, tenha sido para nos igualarmos aos transtornos psicossociais (matanças em escolas) que os EUA são tão conhecidos.
O caso de Realengo imprime um choque de realidade por toda sua espetacularização. O próprio autor da matança assinou seu contrato de estrela do horror. O menino esquecido, invisível, talvez vítima de violência(o bullying) nesta mesma escola que causou tantas mortes, apareceu. Fez ver, tornou-se alguém para a sociedade, virou a atração do dia e consagrou seu ato premeditado com uma carta de salvação da alma e de ajuda aos animais. Este mesmo menino, que agora é um homem “conhecido” é um retrato a ser guardado. Não para lembrarmos-nos do rosto de um assassino frio e impiedoso, mas para observarmos que o espelho familiar é nosso próprio reflexo e pensarmos que atitudes deveremos ter para agir diante de nossa frágil estrutura educacional. Precisamos de um novo capítulo para o Brasil, mudar é urgente, para que um dia possamos apagar dos quadros sociais brasileiros tamanha desigualdade e abandono. E só assim meus amigos, as luzes se acedem, o filme muda seu roteiro, e os atores terão finais felizes.
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