O Brasil deu um passo para a aceitação da legalidade dos casamentos homoafetivos. E claro, precisa andar mais.
O mundo está em constante processo evolutivo e sinceramente não é mais admissível observamos o homem avançar em caminhos antes tão difíceis, sejam por curas de doenças, sejam pelos conhecimentos de outras galáxias e planetas, se não avançarmos nas nossas próprias relações sociais.
Mesmo que as mudanças sejam iminentes para a sociedade, elas não deixam de encontrar empecilhos para sua concretude. O novo é diferente, e com isso hostilizado. Nós ainda não aprendemos a viver na diferença, apesar de que seja a diferença, sem trocadilhos, o diferencial para nossa existência. Nada sobreviveria sem seu “desarranjo”, seu oposto, sua contradição. A nossa genética diz isto, nossa seleção natural mostrou-nos, nossa história comprova.
Às vezes somos impulsionados a presenciar o novo, com espanto, com admiração, maravilhados ou não, mas com a certeza que estamos projetando um novo conceito e modelo para se viver melhor.
O preconceito é um mal que penetra nefastamente nas cabeças e olhos da sociedade. Não aceitar alguém por não ser igual, é também não se aceitar como membro de um conjunto de desiguais que vivemos.
É meio paradoxal, mas vivemos no mundo positivamente e negativamente de desiguais. Positivo quando sei e aceito a mim e ao outro como distintos, eu sou assim e o outro não o é, e isto nos faz preencher os inúmeros espaços de um meio social. Negativo quando vejo que este “desigual” afeta no âmago da nossa vivência. Somos afetados por barreiras financeiras, raciais, políticas, sexuais ou qualquer outra que acentue esta negatividade.
Não sou e nem pretendo ser o rei da sabedoria e da razão, mas não acredito que possamos viver mais nesta insustentável hipocrisia. Negamos o direito de pessoas existirem como reais. É como se estes seres humanos, por terem uma vida sexual e afetiva diferente da que nossos antepassados colocaram como “a certa” em papéis – leis, fossem apenas personagens de ficção (vemo-nos, mas são tratados com superficialidade de algo efêmero e irreal).
Precisamos incentivar a mudança, precisamos reconhecer o já há muito tempo conhecido e conviver bem com todas as diferenças e sem hostilizações.
Nós seres humanos, apesar de toda nossa sabedoria, complicamos nossa existência. Tudo é simples e claro, o poeta Mário Quintana descreveu-nos isto no seu poema “Da perfeição da Vida”, em um passado não muito distante:
Por que prender a vida em conceitos e normas?
O belo e o Feio...o Bom e o Mau...Dor e Prazer....
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do ser!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Luz, câmera, massacre!
Foi tudo um triste e lamentável espetáculo. Parece em um primeiro momento uma história de cinema de horror, mas infelizmente tudo é real. A sociedade brasileira chocou-se pelas mortes inocentes e pela covardia doentia. Quanta estupidez humana, quanta frieza podemos esperar das pessoas mais “normais” que nos rodeiam, quantas vidas interrompidas... No entanto tenho algumas ponderações do caso.
A tragédia na escola de Realengo no Rio de Janeiro impõe um pouco da nossa frágil estrutura familiar, educacional, política e não menos importante a de segurança. Todos os dias diversas crianças e jovens deste nosso enorme país enfrentam grandes “massacres” nas políticas públicas implantadas. Seja em ações totalmente desconexas do ideal, ou em caso extremo na total ausência delas. O Brasil tem uma ambiciosa meta de crescimento econômico de que chegará, e espero que alcance, ao patamar dos chamados países do primeiro mundo. Um objetivo bastante audacioso e também interessante para nossa estrutura financeira. Entretanto outros dados muito mais importantes para um real desenvolvimento estão anos luzes de sequer encontrar uma mínima melhoria. A saúde, a educação e a segurança... É caros leitores, estes mesmos temas que em todas as eleições somos persuadidos a escutar promessas e mais promessas fazendo-nos crer que estamos diante dos salvadores e redentores da pátria (e sempre com aquela velha esperança).
O cenário de tragédia ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio traz à tona uma reflexão bem ampla do que é a estrutura social deste nosso país. Este caso impôs a sociedade o que está sendo denunciado há tempos por diversas vozes que não se calam para que no mínimo seja discutido tamanho desprezo em relação ao ser humano. O atirador, causador destes crimes, certamente sofria de enormes transtornos psicológicos, não o redimo em nenhum momento de sua responsabilidade, foi realmente um grande covarde, entretanto ele é o sinal de grandes covardes que estão sendo, ou já foram, frutos de nosso ambiente escolar e familiar. A verdade é nua e crua, meus caros, a educação brasileira é um fiasco. E as relações familiares, maltratadas por diversos fatores, entre eles, uma péssima distribuirão de renda, torna-se até alarmante de que maníacos sejam “educados” para matar. É um pouco espantoso que o tão pretendido desenvolvimento que os governantes tanto se glorificam em alcançar, tenha sido para nos igualarmos aos transtornos psicossociais (matanças em escolas) que os EUA são tão conhecidos.
O caso de Realengo imprime um choque de realidade por toda sua espetacularização. O próprio autor da matança assinou seu contrato de estrela do horror. O menino esquecido, invisível, talvez vítima de violência(o bullying) nesta mesma escola que causou tantas mortes, apareceu. Fez ver, tornou-se alguém para a sociedade, virou a atração do dia e consagrou seu ato premeditado com uma carta de salvação da alma e de ajuda aos animais. Este mesmo menino, que agora é um homem “conhecido” é um retrato a ser guardado. Não para lembrarmos-nos do rosto de um assassino frio e impiedoso, mas para observarmos que o espelho familiar é nosso próprio reflexo e pensarmos que atitudes deveremos ter para agir diante de nossa frágil estrutura educacional. Precisamos de um novo capítulo para o Brasil, mudar é urgente, para que um dia possamos apagar dos quadros sociais brasileiros tamanha desigualdade e abandono. E só assim meus amigos, as luzes se acedem, o filme muda seu roteiro, e os atores terão finais felizes.
A tragédia na escola de Realengo no Rio de Janeiro impõe um pouco da nossa frágil estrutura familiar, educacional, política e não menos importante a de segurança. Todos os dias diversas crianças e jovens deste nosso enorme país enfrentam grandes “massacres” nas políticas públicas implantadas. Seja em ações totalmente desconexas do ideal, ou em caso extremo na total ausência delas. O Brasil tem uma ambiciosa meta de crescimento econômico de que chegará, e espero que alcance, ao patamar dos chamados países do primeiro mundo. Um objetivo bastante audacioso e também interessante para nossa estrutura financeira. Entretanto outros dados muito mais importantes para um real desenvolvimento estão anos luzes de sequer encontrar uma mínima melhoria. A saúde, a educação e a segurança... É caros leitores, estes mesmos temas que em todas as eleições somos persuadidos a escutar promessas e mais promessas fazendo-nos crer que estamos diante dos salvadores e redentores da pátria (e sempre com aquela velha esperança).
O cenário de tragédia ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio traz à tona uma reflexão bem ampla do que é a estrutura social deste nosso país. Este caso impôs a sociedade o que está sendo denunciado há tempos por diversas vozes que não se calam para que no mínimo seja discutido tamanho desprezo em relação ao ser humano. O atirador, causador destes crimes, certamente sofria de enormes transtornos psicológicos, não o redimo em nenhum momento de sua responsabilidade, foi realmente um grande covarde, entretanto ele é o sinal de grandes covardes que estão sendo, ou já foram, frutos de nosso ambiente escolar e familiar. A verdade é nua e crua, meus caros, a educação brasileira é um fiasco. E as relações familiares, maltratadas por diversos fatores, entre eles, uma péssima distribuirão de renda, torna-se até alarmante de que maníacos sejam “educados” para matar. É um pouco espantoso que o tão pretendido desenvolvimento que os governantes tanto se glorificam em alcançar, tenha sido para nos igualarmos aos transtornos psicossociais (matanças em escolas) que os EUA são tão conhecidos.
O caso de Realengo imprime um choque de realidade por toda sua espetacularização. O próprio autor da matança assinou seu contrato de estrela do horror. O menino esquecido, invisível, talvez vítima de violência(o bullying) nesta mesma escola que causou tantas mortes, apareceu. Fez ver, tornou-se alguém para a sociedade, virou a atração do dia e consagrou seu ato premeditado com uma carta de salvação da alma e de ajuda aos animais. Este mesmo menino, que agora é um homem “conhecido” é um retrato a ser guardado. Não para lembrarmos-nos do rosto de um assassino frio e impiedoso, mas para observarmos que o espelho familiar é nosso próprio reflexo e pensarmos que atitudes deveremos ter para agir diante de nossa frágil estrutura educacional. Precisamos de um novo capítulo para o Brasil, mudar é urgente, para que um dia possamos apagar dos quadros sociais brasileiros tamanha desigualdade e abandono. E só assim meus amigos, as luzes se acedem, o filme muda seu roteiro, e os atores terão finais felizes.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
O carnaval é de todos! Vamos festejar?
Não existirá um assunto mais comentado esta semana na pequena cidade dos poetas. O carnaval é de todos, já diz o slogan do evento. Muita curtição, muito divertimento, muitos turistas...muito dinheiro para a renda da cidade.
Adquirir a entrada neste bloco de rua, já que é assim que este evento é realizado, será fácil. "Dividimos em muitas parcelas" afirma alguns lojistas pela mídia radiofônica. Uma jovem que estava limpando a sujeira da casa, escuta no rádio e logo corre animadíssima para avisar a mãe, uma amorosa costureira que trabalha dia e noite para conseguir o sustento da família. Em outro ponto da cidade uma senhorita desempregada que passa roupa distraída e meio desanimada com a vida amorosa logo alegra-se dizendo: é nesta festa que "arrumo" namorado, espero pelo menos fazer uma faxina esta semana para pagar a parcela! Não muito distante um rapaz que estava sentado na calçada em das muitas ruas periféricas sem pavimentação, grita para o amigo: vou conseguir o dinheiro com a aponsetadoria do vovô!
Talvez eu seja duro com a verdade...também todos tem o direito de querer se divertir, não é mesmo? O carnaval é uma das festas mais "democráticas" do nosso país, podemos ser livres, sem grandes luxos para sermos felizes, sem muitas roupas...aliás quanto menos mais caracterizado estará para a festa.
Mas convenhamos amigos leitores, seja dita a realidade antes que seja confundida com uma necessidade. Sabe aquela jovem que escutava rádio e foi pedir dinheiro para a mãe que costura diuturnamente para colocar comida na mesa de casa, e a outra moça distraída que pretende encontrar um "amor" nesta festa, sem esquecer do rapaz que passa o tempo ociosamente nas ruas da cidade... pois é...todos eles estão matriculados em um colégio da rede pública mas não querem estudar.
Sabemos que as escolas públicas estão muito aquém do ideal, não oferecem estímulos, não oferecem uma didática eficaz, muitas com estruturas físicas ineficientes...mas certamente o pouco que podem oferecer nesta nossa triste realidade... é muito.
Conhecemos sempre casos de pessoas que venceram os obstáculos da difícil história e são grandes exemplos a serem seguidos. Muitos estudaram em colégios públicos, e onde encontraram resistências persistiram para superá-las. A vida é assim, vencemos os "Golias" da dificuldade diária...mas para isso precisamos ter as armas certas, neste caso a educação.
Não sou um carrasco da animação, e olha que nem entro no mérito da política milenar dos governantes do "pão e circo", mas festejar com o fracasso de si mesmo, não é realmente animador.
Vamos todos festejar o carnaval, mas vamos todos fazer dele uma lembrança de que nossa vida precisa ser valorizada, de que precisamos incentivar a nós mesmos e também os outros ao nosso redor. Quando nascemos afortunados precisamos investir no nosso intelecto para crescermos, mas quando nascemos sem grandes riquezas materiais precisamos investir diversas vezes mais para que nosso intelecto seja o gerador de tais riquezas. Esta deveria ser nossa necessidade primordial e não somente dias passageiros de diversão.
Pois é amigos, o carnaval será sempre de todos...mas nem todos viverão felizes somente dele.
Adquirir a entrada neste bloco de rua, já que é assim que este evento é realizado, será fácil. "Dividimos em muitas parcelas" afirma alguns lojistas pela mídia radiofônica. Uma jovem que estava limpando a sujeira da casa, escuta no rádio e logo corre animadíssima para avisar a mãe, uma amorosa costureira que trabalha dia e noite para conseguir o sustento da família. Em outro ponto da cidade uma senhorita desempregada que passa roupa distraída e meio desanimada com a vida amorosa logo alegra-se dizendo: é nesta festa que "arrumo" namorado, espero pelo menos fazer uma faxina esta semana para pagar a parcela! Não muito distante um rapaz que estava sentado na calçada em das muitas ruas periféricas sem pavimentação, grita para o amigo: vou conseguir o dinheiro com a aponsetadoria do vovô!
Talvez eu seja duro com a verdade...também todos tem o direito de querer se divertir, não é mesmo? O carnaval é uma das festas mais "democráticas" do nosso país, podemos ser livres, sem grandes luxos para sermos felizes, sem muitas roupas...aliás quanto menos mais caracterizado estará para a festa.
Mas convenhamos amigos leitores, seja dita a realidade antes que seja confundida com uma necessidade. Sabe aquela jovem que escutava rádio e foi pedir dinheiro para a mãe que costura diuturnamente para colocar comida na mesa de casa, e a outra moça distraída que pretende encontrar um "amor" nesta festa, sem esquecer do rapaz que passa o tempo ociosamente nas ruas da cidade... pois é...todos eles estão matriculados em um colégio da rede pública mas não querem estudar.
Sabemos que as escolas públicas estão muito aquém do ideal, não oferecem estímulos, não oferecem uma didática eficaz, muitas com estruturas físicas ineficientes...mas certamente o pouco que podem oferecer nesta nossa triste realidade... é muito.
Conhecemos sempre casos de pessoas que venceram os obstáculos da difícil história e são grandes exemplos a serem seguidos. Muitos estudaram em colégios públicos, e onde encontraram resistências persistiram para superá-las. A vida é assim, vencemos os "Golias" da dificuldade diária...mas para isso precisamos ter as armas certas, neste caso a educação.
Não sou um carrasco da animação, e olha que nem entro no mérito da política milenar dos governantes do "pão e circo", mas festejar com o fracasso de si mesmo, não é realmente animador.
Vamos todos festejar o carnaval, mas vamos todos fazer dele uma lembrança de que nossa vida precisa ser valorizada, de que precisamos incentivar a nós mesmos e também os outros ao nosso redor. Quando nascemos afortunados precisamos investir no nosso intelecto para crescermos, mas quando nascemos sem grandes riquezas materiais precisamos investir diversas vezes mais para que nosso intelecto seja o gerador de tais riquezas. Esta deveria ser nossa necessidade primordial e não somente dias passageiros de diversão.
Pois é amigos, o carnaval será sempre de todos...mas nem todos viverão felizes somente dele.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
No picadeiro do Brasil o grande "Mínimo".
Em uma bela cidadezinha do interior do sertão nordestino, um pequeno circo, aliás pequeníssimo, monta sua singela estrutura de ferros retorcidos e lonas retalhadas para apresentar seu magestoso espetáculo.
Seu elenco é bem escasso, sem animais ferozes, sem grandes mágicos...sem muito brilho.
As pessoas que compõem aquele mundo de fantasia moram em apertados trailers, cabines que mal cabem uma cama, sem conforto, sem luxo, sem riquezas. Mas estes artistas acreditam no que fazem, muitos cresceram ali, aprenderam a arte do entretenimento com o contato direto do povo, fazendo da dureza da vida piadas para assegurar a alegria daqueles que os assistem.
O segredo deles sobreviverem com tão pouco no bolso, já que o público não é o mesmo de outrora, sinceramente não sei... mas eles persistem e estão divulgando a arte circense de pouco valor neste mundo globalizado.
Do outro lado do país, especificamente lá em Brasília, um espetáculo planejado com um pouco de antecedência estava montado. Diversos artistas chegavam com seus carros importados, desfilavam com seus ternos de grifes francesas, utilizavam o ar resfriado de seus gabinetes, bebiam, comiam, conversavam...
No picadeiro, todos expressavam suas convicções políticas, debatiam, esbravejavam, diziam o que seria "o melhor" para a grande platéia, 545, 560, 600...uma grande piada para tão engenhoso espetáculo.
Estranhamente é que estes mesmos "artistas" em um momento passado não muito distante, resolveram fazer um espetáculo privado, no palco aprovaram um projeto de aumento de 61,83% no seus próprios salários. Não houve discussão, não houve publicização, não houve gargalhadas. Aliás existiram...só a deles!
Agora eu retorno ao pequeno circo, de pequenos trabalhadores, de pequenos salários que provavelmente sejam inferiores ao já definido mínimo de R$ 545,00 reais.
Este povo do circo acanhadinho faz parte de uma grande sociedade. O espetáculo que eles dia-a-dia enfrentam para ganhar o tão difícil pão, está no picadeiro chamado Brasil.
A verdade é que nunca esteve em cena o justo salário na votação do mínimo, todos estes "mínimos" são pequenos pela própria natureza. Talvez o mesmo público que presencia os grandes momentos da democracia no país, é o caso das eleições, esquece das velhas piadas e sempre sorri com os mesmos palhaços...ou talvez a platéia que se inverteu nas funções, porque os verdadeiros palhaços deste grande espetáculo somos nós.
Seu elenco é bem escasso, sem animais ferozes, sem grandes mágicos...sem muito brilho.
As pessoas que compõem aquele mundo de fantasia moram em apertados trailers, cabines que mal cabem uma cama, sem conforto, sem luxo, sem riquezas. Mas estes artistas acreditam no que fazem, muitos cresceram ali, aprenderam a arte do entretenimento com o contato direto do povo, fazendo da dureza da vida piadas para assegurar a alegria daqueles que os assistem.
O segredo deles sobreviverem com tão pouco no bolso, já que o público não é o mesmo de outrora, sinceramente não sei... mas eles persistem e estão divulgando a arte circense de pouco valor neste mundo globalizado.
Do outro lado do país, especificamente lá em Brasília, um espetáculo planejado com um pouco de antecedência estava montado. Diversos artistas chegavam com seus carros importados, desfilavam com seus ternos de grifes francesas, utilizavam o ar resfriado de seus gabinetes, bebiam, comiam, conversavam...
No picadeiro, todos expressavam suas convicções políticas, debatiam, esbravejavam, diziam o que seria "o melhor" para a grande platéia, 545, 560, 600...uma grande piada para tão engenhoso espetáculo.
Estranhamente é que estes mesmos "artistas" em um momento passado não muito distante, resolveram fazer um espetáculo privado, no palco aprovaram um projeto de aumento de 61,83% no seus próprios salários. Não houve discussão, não houve publicização, não houve gargalhadas. Aliás existiram...só a deles!
Agora eu retorno ao pequeno circo, de pequenos trabalhadores, de pequenos salários que provavelmente sejam inferiores ao já definido mínimo de R$ 545,00 reais.
Este povo do circo acanhadinho faz parte de uma grande sociedade. O espetáculo que eles dia-a-dia enfrentam para ganhar o tão difícil pão, está no picadeiro chamado Brasil.
A verdade é que nunca esteve em cena o justo salário na votação do mínimo, todos estes "mínimos" são pequenos pela própria natureza. Talvez o mesmo público que presencia os grandes momentos da democracia no país, é o caso das eleições, esquece das velhas piadas e sempre sorri com os mesmos palhaços...ou talvez a platéia que se inverteu nas funções, porque os verdadeiros palhaços deste grande espetáculo somos nós.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A exceção "Fenômeno".
Esta semana os telespectadores futebolísticos e a sociedade esportiva ou não, iniciaram a mente receptadora de novidades com uma esperada/cogitada notícia: a aposentadoria do jogador Ronaldo Nazário, o fenômeno.
O menino pobre que venceu diversos obstáculos e chegou a um patamar jamais imaginado pela sua cabeça na infância. Caso excepcional que registra a vida do próprio personagem, e também de muitos que idealizam o mesmo destino. Afinal quem não gostaria de viajar o mundo, conhecer estrelas do cinema, entrar nos melhores restaurantes, casar em castelos e ainda ser idolatrado?!
Desde que o futebol ganhou um lugar especial no marketing cultural da mídia, diversos garotos investiram suas habilidades físicas, em detrimento de suas habilidades educacionais. Não me crucifiquem torcedores natos e apaixonados, ninguém é culpado até que seja julgado com provas verídicas para chegar a tal sentença. Mas a verdade é essa, doa a quem doer.
O futebol profissional perdeu o sentido de competição sadia, uma prática esportiva para todos(e nem entro no campo para falar das torcidas perigosas e organizadas). Não existem jogadores, existem marcas.
Marcas que estão disputando espaços publicitários, marcas que usam a persuasão dos atletas para vender. E quanto vendem!
Vivemos em um país que tem pouco mais de quinhetos anos, um país que tem na sua pedra de fundação a desigualdade e jamais poderia julgar uma pessoa que pertencia aos chamados grupos de risco sociais, por mudar sua história para uma outra realidade. Isto é louvado!
Não julgo as exceções, julgo o triste sentido delas existirem. Somos uma multidão de "Ronaldos Nazários", mas quantos serão fenômenos?
A falta de investimentos educacionais no país dentre diversas outras faltas, deixaram esta herança negativa para nossas percepções pessoais: as exceções.
O garoto do subúrbio idealiza ser o Ronaldo Fenômeno, ganhar milhões, ser visível.
Mas por que o garoto precisa sonhar em ser jogador? Por que ele não utiliza de uma boa educação no ensino público para "driblar os adversários" com uma outra habilidade?
Vou mais além...o que é mais fácil no Brasil?
a) Ser um jogador de futebol e faturar com isso.
b) Aprender matemática e física em uma escola de alta qualidade da rede pública de ensino.
Resposta complicada não é amigos leitores?!
Acontece que nem todos nascem para serem esportistas, como nem todos nascem para serem médicos. Mas todos nascem com uma habilidade que é a sua marca, e esta marca não precisa ser apenas aquelas apresentadas nos holofotes dos estádios.
No país do futebol entre tantas marcas, poucas são valorizadas, estão na última divisão, perdem sua capacidade de jogar, envelhecem e se aposentam com um salário cogitado a ser R$ 545,00 reais.
Os milhões no Brasil não é o valor da marca "Ronaldo fenômeno". Os milhões são os verdadeiros "ronaldos" que sonham em virar exceções, que um dia pensaram em ser grandes, mas que a realidade acabou tirando-os dos gramados.
O menino pobre que venceu diversos obstáculos e chegou a um patamar jamais imaginado pela sua cabeça na infância. Caso excepcional que registra a vida do próprio personagem, e também de muitos que idealizam o mesmo destino. Afinal quem não gostaria de viajar o mundo, conhecer estrelas do cinema, entrar nos melhores restaurantes, casar em castelos e ainda ser idolatrado?!
Desde que o futebol ganhou um lugar especial no marketing cultural da mídia, diversos garotos investiram suas habilidades físicas, em detrimento de suas habilidades educacionais. Não me crucifiquem torcedores natos e apaixonados, ninguém é culpado até que seja julgado com provas verídicas para chegar a tal sentença. Mas a verdade é essa, doa a quem doer.
O futebol profissional perdeu o sentido de competição sadia, uma prática esportiva para todos(e nem entro no campo para falar das torcidas perigosas e organizadas). Não existem jogadores, existem marcas.
Marcas que estão disputando espaços publicitários, marcas que usam a persuasão dos atletas para vender. E quanto vendem!
Vivemos em um país que tem pouco mais de quinhetos anos, um país que tem na sua pedra de fundação a desigualdade e jamais poderia julgar uma pessoa que pertencia aos chamados grupos de risco sociais, por mudar sua história para uma outra realidade. Isto é louvado!
Não julgo as exceções, julgo o triste sentido delas existirem. Somos uma multidão de "Ronaldos Nazários", mas quantos serão fenômenos?
A falta de investimentos educacionais no país dentre diversas outras faltas, deixaram esta herança negativa para nossas percepções pessoais: as exceções.
O garoto do subúrbio idealiza ser o Ronaldo Fenômeno, ganhar milhões, ser visível.
Mas por que o garoto precisa sonhar em ser jogador? Por que ele não utiliza de uma boa educação no ensino público para "driblar os adversários" com uma outra habilidade?
Vou mais além...o que é mais fácil no Brasil?
a) Ser um jogador de futebol e faturar com isso.
b) Aprender matemática e física em uma escola de alta qualidade da rede pública de ensino.
Resposta complicada não é amigos leitores?!
Acontece que nem todos nascem para serem esportistas, como nem todos nascem para serem médicos. Mas todos nascem com uma habilidade que é a sua marca, e esta marca não precisa ser apenas aquelas apresentadas nos holofotes dos estádios.
No país do futebol entre tantas marcas, poucas são valorizadas, estão na última divisão, perdem sua capacidade de jogar, envelhecem e se aposentam com um salário cogitado a ser R$ 545,00 reais.
Os milhões no Brasil não é o valor da marca "Ronaldo fenômeno". Os milhões são os verdadeiros "ronaldos" que sonham em virar exceções, que um dia pensaram em ser grandes, mas que a realidade acabou tirando-os dos gramados.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Poesias: Reflexão pelo reflexo.
Sempre estamos indagando-nos da necessidade de sermos produtivos. Da necessidade de sermos aceitos para e pela sociedade. Da necessidade de sermos úteis. Da necessidade de sermos “alguém”. Mas você já se perguntou desta necessidade de ser?
Ser ou não ser? Uma famosa frase da tragédia de Hamlet, de William Shakespeare, representa nosso constante eu. Somos os filhos bonzinhos ou a decepção da família? Somos os melhores alunos ou os “coladores” do fundão? Somos os simpáticos falantes ou os tímidos dos quartos? Somos a verdade ou somos a mentira?
Este reflexo confuso sempre permanece na construção do nosso "eu social". Este eu elabora sistematicamente a realidade, sabe o que diz, produz o que os outros querem, planeja a verdade de todos e materializa o espírito da convivência física.
O "eu pessoa" não, este é sua raiz verdadeira, agride suas entranhas, progride nos derrames, deturpa nossas mentes, fere nossos instintos e procura viver fora dos calabouços do frágil esquecimento.
Agora pergunto o que todos sabem a resposta buscando seu eu:
É necessário ser para ser necessário?
Ser ou não ser? Uma famosa frase da tragédia de Hamlet, de William Shakespeare, representa nosso constante eu. Somos os filhos bonzinhos ou a decepção da família? Somos os melhores alunos ou os “coladores” do fundão? Somos os simpáticos falantes ou os tímidos dos quartos? Somos a verdade ou somos a mentira?
Este reflexo confuso sempre permanece na construção do nosso "eu social". Este eu elabora sistematicamente a realidade, sabe o que diz, produz o que os outros querem, planeja a verdade de todos e materializa o espírito da convivência física.
O "eu pessoa" não, este é sua raiz verdadeira, agride suas entranhas, progride nos derrames, deturpa nossas mentes, fere nossos instintos e procura viver fora dos calabouços do frágil esquecimento.
Agora pergunto o que todos sabem a resposta buscando seu eu:
É necessário ser para ser necessário?
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Ouviram o pronunciamento? É o penhor desta igualdade?
No horário nobre das redes de televisões e rádios nacionais na última quinta-feira(10/02/11), a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, realizou seu primeiro pronunciamento oficial à nação brasileira desde a sua posse.
Dilma fez uma coisa bastante singular para o cargo que possui, iniciou sua trajetória na comunicação oficial falando de educação. Não estou aqui somente para enaltecer a atitude positiva que a presidenta optou para concentrar tal tema em grande parte do seu discurso, mas para cobrar que este fato não possa ser apenas um registro na nossa história, e sim um novo marco para mudança.
"País rico é país sem pobreza", este é o slogan da logomarca desenvolvida pelos publicitários João Santana e Marcelo Kertész para o novo governo. Aliás a grande novidade desta nova identidade do poder federal, porque em relação ao resto da logomarca, enxergamos as mesmas caraterísticas ideológicas, tipográficas e visuais do governo anterior.
Críticas à parte, continuamos...embora a mensagem da presidenta seja um alento aos defensores do pensamento de que a verdadeira mudança de um país iniciará pela educação, coloco-me entre tais, existe uma triste realidade: nós!
Isto mesmo caros amigos, somos a mudança, somos a realidade, somos o futuro...mas insistimos nisso? Ou melhor, vemo-nos como os revolucionários da transformação? Aceitamos conquistar com os braços fortes a igualdade? Será que nós, filhos desta pátria, não fugimos desta luta?
Sei que anos de abandono social, cultural e político acabou gerando uma massa de "acomodados da revolução". Não deveríamos esperar um lider político vir até a mídia divulgar sua intenção de "fazer algo pela educação". Somos responsáveis pelo progresso, e não apenas pela ordem nacional. Elegemos para fazer, e se não faz, é porque aceitamos. Somos responsáveis pelo Brasil que estamos, pelo país que vivemos, pela educação lastimável que temos.
Precisamos acordar para cobrar, ir as ruas, gritar nas praças... agir e insistir.
Esta mobilização social que o povo do Egito nos presenteiou nos últimos dias, compartilhando com todos este momento histórico de mudança naquele país, somente reafirma este posicionamento.
O que deveriámos pensar é que as mobilizações e lutas não são apenas para derrubarmos um ou outro do poder, mas para gerarmos mudanças sociais reais. O quanto seria fenomenal se milhares de brasileiros fossem as ruas exigindo uma mudança profunda na educação, na saúde, na segurança...se temos o poder de tirá-los do trono, imagina o que poderiámos fazer. Já pensou?
Amigos leitores e formadores de opinão, a mudança não está apenas nos discursos destes nossos representantes, a mudança começará por nós. Teremos que escolher dois destinos para seguirmos nos poéticos versos do nosso hino nacional. É preciso decidirmos se estaremos "deitados eternamente em berço esplêndido" da ilusão, ou se vamos seguir com a força ativista "o brado retumbante de um povo heróico".
Dilma fez uma coisa bastante singular para o cargo que possui, iniciou sua trajetória na comunicação oficial falando de educação. Não estou aqui somente para enaltecer a atitude positiva que a presidenta optou para concentrar tal tema em grande parte do seu discurso, mas para cobrar que este fato não possa ser apenas um registro na nossa história, e sim um novo marco para mudança.
"País rico é país sem pobreza", este é o slogan da logomarca desenvolvida pelos publicitários João Santana e Marcelo Kertész para o novo governo. Aliás a grande novidade desta nova identidade do poder federal, porque em relação ao resto da logomarca, enxergamos as mesmas caraterísticas ideológicas, tipográficas e visuais do governo anterior.
Críticas à parte, continuamos...embora a mensagem da presidenta seja um alento aos defensores do pensamento de que a verdadeira mudança de um país iniciará pela educação, coloco-me entre tais, existe uma triste realidade: nós!
Isto mesmo caros amigos, somos a mudança, somos a realidade, somos o futuro...mas insistimos nisso? Ou melhor, vemo-nos como os revolucionários da transformação? Aceitamos conquistar com os braços fortes a igualdade? Será que nós, filhos desta pátria, não fugimos desta luta?
Sei que anos de abandono social, cultural e político acabou gerando uma massa de "acomodados da revolução". Não deveríamos esperar um lider político vir até a mídia divulgar sua intenção de "fazer algo pela educação". Somos responsáveis pelo progresso, e não apenas pela ordem nacional. Elegemos para fazer, e se não faz, é porque aceitamos. Somos responsáveis pelo Brasil que estamos, pelo país que vivemos, pela educação lastimável que temos.
Precisamos acordar para cobrar, ir as ruas, gritar nas praças... agir e insistir.
Esta mobilização social que o povo do Egito nos presenteiou nos últimos dias, compartilhando com todos este momento histórico de mudança naquele país, somente reafirma este posicionamento.
O que deveriámos pensar é que as mobilizações e lutas não são apenas para derrubarmos um ou outro do poder, mas para gerarmos mudanças sociais reais. O quanto seria fenomenal se milhares de brasileiros fossem as ruas exigindo uma mudança profunda na educação, na saúde, na segurança...se temos o poder de tirá-los do trono, imagina o que poderiámos fazer. Já pensou?
Amigos leitores e formadores de opinão, a mudança não está apenas nos discursos destes nossos representantes, a mudança começará por nós. Teremos que escolher dois destinos para seguirmos nos poéticos versos do nosso hino nacional. É preciso decidirmos se estaremos "deitados eternamente em berço esplêndido" da ilusão, ou se vamos seguir com a força ativista "o brado retumbante de um povo heróico".
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