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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A exceção "Fenômeno".

Esta semana os telespectadores futebolísticos e a sociedade esportiva ou não, iniciaram a mente receptadora de novidades com uma esperada/cogitada notícia: a aposentadoria do jogador Ronaldo Nazário, o fenômeno.
O menino pobre que venceu diversos obstáculos e chegou a um patamar jamais imaginado pela sua cabeça na infância. Caso excepcional que registra a vida do próprio personagem, e também de muitos que idealizam o mesmo destino. Afinal quem não gostaria de viajar o mundo, conhecer estrelas do cinema, entrar nos melhores restaurantes, casar em castelos e ainda ser idolatrado?!
Desde que o futebol ganhou um lugar especial no marketing cultural da mídia, diversos garotos investiram suas habilidades físicas, em detrimento de suas habilidades educacionais. Não me crucifiquem torcedores natos e apaixonados, ninguém é culpado até que seja julgado com provas verídicas para chegar a tal sentença. Mas a verdade é essa, doa a quem doer.
O futebol profissional perdeu o sentido de competição sadia, uma prática esportiva para todos(e nem entro no campo para falar das torcidas perigosas e organizadas). Não existem jogadores, existem marcas.
Marcas que estão disputando espaços publicitários, marcas que usam a persuasão dos atletas para vender. E quanto vendem!
Vivemos em um país que tem pouco mais de quinhetos anos, um país que tem na sua pedra de fundação a desigualdade e jamais poderia julgar uma pessoa que pertencia aos chamados grupos de risco sociais, por mudar sua história para uma outra realidade. Isto é louvado!
Não julgo as exceções, julgo o triste sentido delas existirem. Somos uma multidão de "Ronaldos Nazários", mas quantos serão fenômenos?
A falta de investimentos educacionais no país dentre diversas outras faltas, deixaram esta herança negativa para nossas percepções pessoais: as exceções.
O garoto do subúrbio idealiza ser o Ronaldo Fenômeno, ganhar milhões, ser visível.
Mas por que o garoto precisa sonhar em ser jogador? Por que ele não utiliza de uma boa educação no ensino público para "driblar os adversários" com uma outra habilidade?
Vou mais além...o que é mais fácil no Brasil?
a) Ser um jogador de futebol e faturar com isso.
b) Aprender matemática e física em uma escola de alta qualidade da rede pública de ensino.
Resposta complicada não é amigos leitores?!
Acontece que nem todos nascem para serem esportistas, como nem todos nascem para serem médicos. Mas todos nascem com uma habilidade que é a sua marca, e esta marca não precisa ser apenas aquelas apresentadas nos holofotes dos estádios.
No país do futebol entre tantas marcas, poucas são valorizadas, estão na última divisão, perdem sua capacidade de jogar, envelhecem e se aposentam com um salário cogitado a ser R$ 545,00 reais.
Os milhões no Brasil não é o valor da marca "Ronaldo fenômeno". Os milhões são os verdadeiros "ronaldos" que sonham em virar exceções, que um dia pensaram em ser grandes, mas que a realidade acabou tirando-os dos gramados.

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