Em uma bela cidadezinha do interior do sertão nordestino, um pequeno circo, aliás pequeníssimo, monta sua singela estrutura de ferros retorcidos e lonas retalhadas para apresentar seu magestoso espetáculo.
Seu elenco é bem escasso, sem animais ferozes, sem grandes mágicos...sem muito brilho.
As pessoas que compõem aquele mundo de fantasia moram em apertados trailers, cabines que mal cabem uma cama, sem conforto, sem luxo, sem riquezas. Mas estes artistas acreditam no que fazem, muitos cresceram ali, aprenderam a arte do entretenimento com o contato direto do povo, fazendo da dureza da vida piadas para assegurar a alegria daqueles que os assistem.
O segredo deles sobreviverem com tão pouco no bolso, já que o público não é o mesmo de outrora, sinceramente não sei... mas eles persistem e estão divulgando a arte circense de pouco valor neste mundo globalizado.
Do outro lado do país, especificamente lá em Brasília, um espetáculo planejado com um pouco de antecedência estava montado. Diversos artistas chegavam com seus carros importados, desfilavam com seus ternos de grifes francesas, utilizavam o ar resfriado de seus gabinetes, bebiam, comiam, conversavam...
No picadeiro, todos expressavam suas convicções políticas, debatiam, esbravejavam, diziam o que seria "o melhor" para a grande platéia, 545, 560, 600...uma grande piada para tão engenhoso espetáculo.
Estranhamente é que estes mesmos "artistas" em um momento passado não muito distante, resolveram fazer um espetáculo privado, no palco aprovaram um projeto de aumento de 61,83% no seus próprios salários. Não houve discussão, não houve publicização, não houve gargalhadas. Aliás existiram...só a deles!
Agora eu retorno ao pequeno circo, de pequenos trabalhadores, de pequenos salários que provavelmente sejam inferiores ao já definido mínimo de R$ 545,00 reais.
Este povo do circo acanhadinho faz parte de uma grande sociedade. O espetáculo que eles dia-a-dia enfrentam para ganhar o tão difícil pão, está no picadeiro chamado Brasil.
A verdade é que nunca esteve em cena o justo salário na votação do mínimo, todos estes "mínimos" são pequenos pela própria natureza. Talvez o mesmo público que presencia os grandes momentos da democracia no país, é o caso das eleições, esquece das velhas piadas e sempre sorri com os mesmos palhaços...ou talvez a platéia que se inverteu nas funções, porque os verdadeiros palhaços deste grande espetáculo somos nós.
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Um comentário:
Parabéns Elton!!!! Suas colocações são claras e bem objetivas. Divulgue seu blog, ele tem muito conteúdo, nos coloca a pensar de maneira mais crítica.
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